Incontinência urinária após os 40: condição afeta qualidade de vida da mulher na perimenopausa e menopausa
A perda involuntária de urina ainda é um assunto cercado por vergonha e silêncio entre muitas mulheres, principalmente após os 40 anos. O que muitas não sabem é que a incontinência urinária não deve ser encarada como algo “normal da idade” e pode estar diretamente relacionada às alterações hormonais da perimenopausa e da menopausa.
Segundo a mastologista e ginecologista Dra. Denise Joffily, a queda hormonal que acontece nessa fase da vida impacta diferentes regiões do corpo feminino, incluindo o assoalho pélvico.
“A diminuição do estrogênio interfere diretamente na musculatura, nos tecidos de sustentação e também na saúde íntima da mulher. Muitas pacientes passam a perceber escapes de urina ao tossir, rir, espirrar, pegar peso ou atédurante atividades físicas. Outras podem apresentarsintoma de urgência e perder urina antes de chegar aobanheiro”, explica Dra. Denise.
A médica ressalta que, apesar de comum, a condição merece investigação e acompanhamento médico.
“Muitas mulheres acreditam que isso faz parte do envelhecimento e acabam deixando de procurar ajuda. A incontinência urinária pode impactar autoestima, vida social, sono, sexualidade e qualidade de vida”, alerta a especialista.
Entre os principais sinais de alerta estão:
• Vontade urgente e frequente de urinar;
• Perda urinária ao rir, tossir ou espirrar;
• Necessidade de acordar várias vezes à noite para urinar;
• Sensação de bexiga sempre cheia;
• Dificuldade para segurar a urina;
• Desconforto íntimo e insegurança em atividades do dia a dia.
Já a fisioterapeuta pélvica Dra. Nívia Vinhola destaca que o fortalecimento do assoalho pélvico é um dos principais aliados no tratamento e na prevenção da condição. Segundo ela, a fisioterapia pélvica tem um papel fundamental no cuidado da mulher durante a perimenopausa e menopausa.
“O assoalho pélvico funciona como uma base de sustentação para órgãos importantes, como bexiga, útero e intestino. Quando essa musculatura perde força ou funcionalidade, podem surgir sintomas urinários, dores e desconfortos”, explica ela.
De acordo com a Dra Nívia, alguns fatores podemaumentar o risco de incontinência urinária, como gestação, parto normal, obesidade, sedentarismo, prisão de ventre crônica, tabagismo, tosse persistente e exercícios físicos de alto impacto sem orientação adequada.
A fisioterapeuta também reforça algumas medidas preventivas importantes:
• Fortalecer a musculatura pélvica com exercícios específicos;
• Evitar excesso de peso;
• Manter atividade física orientada;
• Tratar prisão de ventre;
• Evitar segurar a urina por longos períodos;
• Reduzir excesso de cafeína em alguns casos;
• Manter acompanhamento ginecológico regular.
“O mais importante é que a mulher entenda que existe tratamento. Com avaliação individualizada e abordagem correta, é possível melhorar muito os sintomas e recuperar qualidade de vida”, afirma Dra. Nívia.
As especialistas reforçam que buscar orientação profissional precocemente faz toda a diferença. Além do acompanhamento ginecológico, o tratamento pode incluir fisioterapia pélvica, mudanças de hábitos, fortalecimento muscular, cuidados hormonais e estratégias individualizadas para cada paciente.
“Cuidar da saúde íntima também faz parte do bem-estar feminino. A mulher não precisa conviver com desconfortos e limitações em silêncio”, finaliza Dra. Denise.
AF Conexão – Jornalista Responsável Andrea Feliconio
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